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Controle da Nasa na Artemis 2

O controle da missão original que supervisionou o primeiro pouso na Lua e nos trouxe a frase “o fracasso não é uma opção”, quando uma parte da espaçonave Apollo 13 explodiu a caminho do nosso satélite natural, está, agora, preservado como Marco Histórico Nacional dos Estados Unidos. Isso inclui os cinzeiros, xícaras de café e tudo o mais.

Mas, do outro lado do salão, fica o seu equivalente moderno, para as missões lunares do século 21. A sala de controle da missão Artemis e o seu propósito são essencialmente os mesmos.

“A estrutura criada por Chris Kraft, como o primeiro diretor de voo, realmente resistiu ao teste do tempo”, afirma Fiona Antkowiak, uma dentre os nove diretores de voos designados para a Artemis 2, a primeira missão lunar tripulada da Nasa desde 1972.

Programada atualmente para lançamento em abril de 2026, a Artemis 2 levará quatro astronautas em um looping para além da Lua, cobrindo a maior distância já percorrida por seres humanos.

Eles serão as primeiras pessoas a serem lançadas ao espaço pelo novo e gigantesco foguete SLS, voando na cápsula Orion. Ou seja, há muito trabalho em jogo.

A equipe de Houston será responsável por manter a missão no seu curso e trazer a tripulação de volta para a Terra com segurança, 10 dias depois.

Trabalhando em três turnos, 24 horas por dia, o controle da missão se manterá em comunicação com a espaçonave, enviará comandos e monitorará tudo, desde a trajetória e os sistemas de propulsão até os batimentos cardíacos dos astronautas.

“O papel do controle da missão, em última análise, é manter os astronautas em segurança, manter a espaçonave Orion em segurança e atingir os objetivos da missão”, explica Antkowiak.

“Nós estruturamos o nosso trabalho para cumprir estes pontos em ordem de prioridade.”

Entre o logotipo de “minhoca” da Nasa, dos anos 1980, na parede de fundo, e as luzes de LED hexagonais suspensas do teto, a sala de controle de missão atual é uma mistura do novo e do velho.

Os consoles de cor cinza sob medida com os botões volumosos e monitores em preto e branco da era Apollo foram substituídos por teclados e telas sensíveis ao toque. Mas os nomes das mesas datam das primeiras missões.

O suporte à vida, por exemplo, ainda é supervisionado pelo Eecom (Oficial de Emergência, Ambiental e de Materiais de Consumo, na sigla em inglês). Ele foi fundamental para manter os astronautas vivos durante o resgate da Apollo 13.

O ar, agora, também é muito mais limpo do que costumava ser, já que o fumo é proibido e as xícaras de porcelana foram substituídas por canecas de viagem de plástico.

Mas, além da tecnologia, a maior mudança provavelmente foi a aparência dos próprios controladores da missão.

Se você observar qualquer fotografia do controle da missão Apollo, verá que todos os controladores eram homens brancos jovens, vestindo camisas brancas, com bolsos cheios de canetas e réguas.

Poppy Northcutt foi a primeira mulher engenheira a entrar para a equipe, em meados da década de 1960. Na época, a sala mais parecia um clube só para meninos.

Hoje em dia, não só os trajes são muito mais informais, mas a equipe de controle da missão tem muito mais diversidade. E, frequentemente, as mulheres estão na liderança.

Cada aspecto do voo será supervisionado desta sala. Os controladores da missão em terra trabalharão com os astronautas no espaço para manter a Artemis 2 no seu curso.

Para evitar confusões, todas as comunicações com a tripulação são realizadas por um comunicador de cápsula, abreviado em inglês “capcom” (um nome que data dos primeiros voos espaciais Mercury, 1958-1963). Mas quem dá as ordens finais é o diretor de voo.

“O principal é que você tem um diretor de voo no console e aquela pessoa detém a autoridade final para tomar qualquer decisão rápida”, conta Antkowiak.

Os sistemas desta complexa espaçonave, em grande parte, são automáticos. Mas, mesmo assim, acompanhar tudo e lidar com eventuais problemas é uma tarefa além do que um pequeno grupo de pessoas pode fazer sozinho em uma sala.

É aqui que entra em ação outra equipe, que fica na Sala de Avaliação da Missão Orion (Mer, na sigla em inglês), no mesmo edifício.

“A Mer tem uma perspectiva única e diferente do diretor de voo e sua equipe operacional”, segundo o chefe da Orion Mer, Trey Perryman.

“Não somos responsáveis pela operação, nem pela resposta imediata a cada questão, mas por monitorar o desempenho da espaçonave em minuciosos detalhes e liderar a resolução de problemas. Existe uma diferença entre reagir a um problema e resolvê-lo.”

Os engenheiros que trabalham na Orion Mer são os mesmos que projetaram e construíram a espaçonave. Por isso, eles conhecem cada um dos seus parafusos, componentes, circuitos e válvulas.

A equipe da Mer inclui um grupo europeu, responsável pelo módulo de serviço anexado à Orion, que é de fundamental importância.

Fornecido pela Agência Espacial Europeia (Esa, na sigla em inglês) e construído pela Airbus, na Alemanha, esta metade da espaçonave contém o motor principal e o combustível necessário para alimentar a espaçonave, além da água e do ar que irão manter os astronautas vivos.

“Somos quem mais conhece a espaçonave”, afirma Perryman.

“Por isso, nós apoiamos todos os seus operadores por toda a missão, para ajudá-los a entender o que está acontecendo, onde eles podem precisar de um pouco mais de ajuda da engenharia e resolver eventuais problemas, pois é de fundamental importância trazer a tripulação para casa.”

É possível que todos os estágios da Artemis 2 funcionem exatamente conforme o planejado, do lançamento até o pouso no mar.

A primeira missão não tripulada, Artemis 1, foi à Lua e voltou com poucas falhas. Mas o histórico dos voos espaciais humanos indica que é aconselhável se preparar para qualquer eventualidade.

Quase todas as missões lunares Apollo sofreram algum tipo de anomalia, desde propulsores com defeito até computadores sobrecarregados.

Todos os problemas foram resolvidos e todas as missões foram salvas, graças ao conhecimento combinado das equipes em terra e a um extenso programa de simulações que antecipa praticamente qualquer problema possível.

Essa tradição continua com a Artemis. A equipe de controle da missão passa por simulações constantes e rigorosas, que testam sua capacidade de resposta a uma ampla gama de falhas e cenários de emergência.

Esses treinamentos envolvem desde pequenos problemas técnicos até grandes emergências que exigem decisões rápidas para garantir a segurança da tripulação.

O processo garante que, quando a Artemis 2 decolar, as equipes em Houston estarão preparadas para gerenciar tanto a rotina do voo quanto os imprevistos que possam surgir no caminho para a Lua.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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