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Alzheimer e Higiene Oral: Desafios e Cuidados Essenciais

Alzheimer e Higiene Oral: Desafios e Cuidados Essenciais

Quando uma família recebe o diagnóstico de Alzheimer, a atenção se volta para a perda de memória, o comportamento e a segurança do paciente. No entanto, a higiene bucal se torna um dos maiores desafios diários, segundo o odontogeriatra Dr. Marco Polo Siebra, fundador do Grupo de Apoio Alzheimer MS.

O médico relata ouvir relatos frequentes de cuidadores. Frases como “meu pai não deixa mais ninguém chegar perto da boca dele” e “minha mãe esqueceu como se escova os dentes” são comuns. Para ele, essas falas mostram que o declínio cognitivo transforma a escovação em uma experiência aversiva e confusa para o paciente e exaustiva para o cuidador.

O desafio ocorre porque a doença afeta áreas do cérebro responsáveis pela coordenação motora fina, pela memória procedural (que guarda sequências de ações) e pela percepção sensorial. Com isso, o paciente pode não reconhecer a escova como objeto familiar, esquecer a sequência do movimento, sentir dor ao abrir a boca ou apresentar resistência ativa, como morder a escova.

Existem estratégias baseadas em neurociência para lidar com a situação. A técnica do “Mãos sobre Mãos” sugere que o cuidador se posicione ao lado ou atrás do paciente e guie o movimento da escova com a mão sobre a mão dele. Isso reduz a sensação de invasão e preserva a autonomia residual.

Manter uma rotina fixa, com o mesmo horário, local e instrumentos, também ajuda. A previsibilidade reduz o estresse no sistema límbico, centro emocional do cérebro. Na comunicação, o ideal é usar comandos diretos e passo a passo, como “abre a boca”, em vez de perguntas abertas.

Instrumentos adaptados são recomendados. Escovas com cabos longos e grossos, cerdas ultra macias e cremes dentais com sabor neutro são preferíveis, já que sabores fortes de menta podem causar aversão. A lubrificação é outro cuidado, pois muitos medicamentos para Alzheimer causam boca seca, o que pode levar a feridas e cáries.

O especialista alerta que haverá dias em que o paciente recusará o cuidado bucal. Nesses casos, o cuidador não deve desistir, mas buscar ajuda profissional se notar sangramento excessivo, mau hálito persistente, mudança de comportamento, recusa de alimentos ou perda de peso. A higiene bucal, segundo ele, não é sobre perfeição, mas sobre dignidade e qualidade de vida.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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