Amigos vestiram blusas coloridas para se despedir de Tiago Pitthan, conhecido como o Bom Sujeito, que morreu no domingo (5). O velório, realizado nesta segunda-feira (6), reuniu familiares, amigos e admiradores da mensagem que o advogado espalhou: a vida é hoje, vamos comemorar, mesmo em meio à tristeza.
Para quem fica, Tiago foi um divisor de águas e um professor que reensinou muitos a viverem. Ele será enterrado como gostava, com uma blusa igual à dos amigos e o chapéu panamá, sua marca registrada.
A história dele emocionou o país depois que ele decidiu realizar um velório em vida em maio para celebrar as relações e amizades enquanto ainda podia abraçar, ouvir homenagens e agradecer.
Na capela, estava o quadro com a foto de Pitthan e as assinaturas de quem participou da festa de maio. No rádio, tocava um samba calmo. O chapéu com detalhe vermelho também estava lá. A namorada ficou ao lado dele durante toda a manhã. Familiares não falaram com a imprensa.
O amigo Renato Heimbach, de 40 anos, disse que Tiago era extravagante e gostava de coisas coloridas. “Inclusive compramos juntos as camisas um tempo atrás e usamos na decoração do velório dele de maio. Hoje, alguns amigos vieram assim, nada discretos para um velório”. Para ele, o Bom Sujeito mudou a forma como enxerga a vida e os amigos. “Ele gostava de ter muitos amigos e conseguia aproveitar cada um deles. Isso é uma aula”.
Antes do diagnóstico de câncer de intestino, Tiago já vivia de forma intensa. Depois, se jogou ainda mais. “Ele entendeu que o tempo dele estava acabando. Ele queria aproveitar para fazer tudo o que queria e não deixar para depois”, contou Renato.
Débora Bordin vestiu a camisa mais colorida que tinha. A amizade entre eles é de anos. “Ele mostrou a importância de viver a vida todos os dias, de observar as pequenas coisas. Como ele disse: a gente está vivendo, não morrendo”, afirmou.
Renan Vieira Heimbach, de 38 anos, amigo de longa data, disse que Tiago ensinou muito em meio à própria dor. “Ele mostrou que o que vale é a vida que a gente leva. Mesmo nessa fase triste, tivemos momentos felizes”.
Álvaro Marzochi, de 39 anos, veio parecido com o Bom Sujeito. Foi Tiago que o ajudou a se reerguer. “Ele me ensinou a viver e, depois do câncer, ensinou o Brasil inteiro”. Para ele, a mensagem de Tiago vai permanecer. “Não é sobre morte, é sobre vida. Esse colorido, esse sorrir enquanto a gente chora”.
O velório acontece até as 16h no Cemitério Memorial Park, no Bairro Universitário. O enterro deve contar com samba ao vivo.
