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Ipê-branco floresce fora de época em Campo Grande

O ipê-branco, conhecido por fechar a temporada de florada dos ipês, já começou a florir em avenidas de Campo Grande, como na Ministro João Arinos e na Duque de Caxias. O despertar das plantas do Cerrado se antecipou até mesmo à primeira onda de frio intenso, prevista para o próximo fim de semana.

O biólogo José Milton Logo afirmou que essa florada não é comum. “Eles não deveriam estar florindo agora. Mas algum mecanismo fisiológico dele disparou”, disse. Ele explicou que a temperatura é o principal regulador da florada dos ipês. “O ipê branco deveria estar mais para frente. Geralmente, ele fecha o ciclo das cores dos ipês, que começa com os rosas, roxos, amarelos e depois o branco. Às vezes florescia nesses interstícios. Mas não deveria estar florescendo porque a temperatura está acima da média.”

O botânico Flávio Macedo Alves, professor na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), afirmou que se trata da florada de alguns indivíduos. “Uma planta aqui, uma planta ali e uma planta acolá florescer não sincronizada com o restante da espécie é comum, não é excentricidade.”

Flávio lembrou que a florada segue uma paleta de cores. “Cada ipê floresce baseado numa condição ambiental perfeita. O primeiro é o ipê rosa, geralmente estimulado pelas frentes frias que entram em Campo Grande.” Com o tempo seco, as folhas caem para dar lugar às flores. “É uma planta de ambiente sazonal. Esse primeiro ipê é estimulado pela frente fria e pelo fotoperíodo. Vem o rosa, que tem três espécies na cidade. Temos cinco espécies de ipês amarelos em Campo Grande, que vão florescer no final de julho. E, por fim, o ipê branco.”

A beleza do ipê branco é a mais efêmera, com floração que dura dois dias. Caso o frio chegue no fim de semana, as flores rosas devem começar a colorir Campo Grande após um mês. Os ipês têm papel importante na arborização urbana e na recuperação de áreas degradadas, proporcionando conforto térmico, redução da poluição, absorção de ruídos e melhora da qualidade do ar.

Das 175 mil árvores que se espalham pelas calçadas de Campo Grande, a maioria é o oiti, que totaliza 27,6%. As outras espécies com mais árvores na Capital são: figueira (5,7%), murta-de-cheiro (4,4%), ipê-rosa (3,7%) e sibipiruna (3,7%).

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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