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Justiça solta caminhoneiro que matou mulher atropelada no anel viário

O juiz Ricardo da Mata Reis, da Comarca de Dourados, determinou a soltura do caminhoneiro Anderson Chaves Bonfá durante audiência de custódia na tarde desta quarta-feira (20). Ele havia sido preso em flagrante após atropelar e matar Mitla Machado, de 38 anos, e ferir o filho dela, de 21 anos, na terça-feira (19). O acidente ocorreu na rotatória da MS-156 com o anel viário de Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande.

Nos autos obtidos pelo Campo Grande News, o magistrado registrou que não havia, neste momento inicial, elementos para tratar o caso como homicídio doloso. Ele afirmou que “a embriaguez, isoladamente, não é suficiente para comprovar o dolo em sua conduta”, ao citar entendimento do Superior Tribunal de Justiça. O juiz também destacou que “não se pode, neste momento embrionário, classificar o delito como homicídio doloso” e que o exame do caso depende de aprofundamento da investigação.

O juiz avaliou que o investigado é primário e não tem antecedentes, o que afastaria risco imediato de nova infração ou de prejuízo à apuração. Ele também afirmou que não há, por ora, elementos concretos de reiteração delitiva. Na decisão, citou que a prisão preventiva só se aplica em situações excepcionais e reforçou que o cárcere funciona como “ultima ratio”, expressão usada para indicar último recurso do sistema penal.

Com a decisão, Ricardo da Mata Reis concedeu liberdade provisória ao motorista, mas impôs restrições. Ele determinou comparecimento a todos os atos do processo, manutenção de endereço atualizado e suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) por tempo indeterminado. O juiz também ordenou comunicação ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e ao Contran (Conselho Nacional de Trânsito) para cumprimento da decisão.

Segundo o processo, o acidente ocorreu quando o caminhoneiro cruzou a preferencial na rotatória. Ele atingiu a motocicleta em que estavam mãe e filho e seguiu viagem com o veículo preso sob a carroceria do caminhão. A moto ficou arrastada por cerca de 5 quilômetros até ser interceptada por outros motoristas, que cercaram a carreta e impediram a fuga ainda no anel viário.

Durante o trajeto, o atrito da motocicleta com o asfalto provocou um incêndio, que precisou ser controlado por pessoas que passavam pelo local com extintores. O teste do bafômetro feito após a prisão apontou 0,85 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice acima do permitido e que configura crime de trânsito. No caminhão, policiais ainda encontraram um cooler com cerca de dez latas de cerveja vazias. O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos conforme o avanço da apuração.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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