Passageiros de um ônibus da empresa Serra Azul, do Grupo Eucatur, passaram a madrugada deste domingo (19) parados às margens da BR-163, a cerca de seis quilômetros do distrito de Anhanduí, em Campo Grande. De acordo com relato de uma das viajantes, o veículo apresentou defeito duas vezes durante o trajeto. O grupo ficou sem água, comida e sem previsão de quando poderia seguir viagem.
A história foi enviada ao Campo Grande News pela autônoma Andreia Palma, de 40 anos, pelo canal Direto das Ruas. Ela viaja com o filho de 8 anos, que é autista. Andreia afirmou que entre os passageiros também há uma gestante, idosos e outras crianças.
O ônibus saiu de Sinop (MT) às 19h30 de sexta-feira (17) com destino a Maringá (PR). Segundo Andreia, o primeiro problema ocorreu por volta das 14h de sábado (18), quando o ar-condicionado parou de funcionar na região de Coxim. Ela contou que o calor dentro do veículo ficou insuportável e uma gestante passou mal, com alteração na pressão arterial. Depois da pane, outro ônibus foi enviado para buscar os passageiros, que precisaram transferir as bagagens e continuar a viagem em um novo veículo.
Já na região de Campo Grande, o segundo ônibus também apresentou defeito. Os passageiros pararam novamente e foram informados de que outro veículo seria enviado para mais uma transferência. Por volta das 2h deste domingo, o grupo ainda estava parado em um ponto de apoio da concessionária Motiva, responsável pelo trecho da BR-163. O local fica a cerca de seis quilômetros de Anhanduí.
“A gente está no meio do nada. Tem criança autista, gestante e pessoas de idade. Estamos a madrugada inteira dentro do ônibus, sem nenhum tipo de assistência”, relatou Andreia. Ela afirmou que o ponto de apoio possui apenas banheiros químicos, que estavam sem condições de uso, e que o grupo usava somente o banheiro do ônibus.
Andreia também reclamou que não foram fornecidos água ou alimentos durante a espera. Segundo ela, o motorista permanecia em contato pelo telefone, mas não dava uma previsão concreta para a chegada do ônibus substituto. “O motorista não dá resposta para a gente. Só fica no telefone. Tem criança com fome, gestante, todo mundo passando estresse e nervoso, sem nenhum amparo”, disse.
Além do desgaste, Andreia contou que perdeu uma conexão em Maringá. De lá, ela seguiria para Florianópolis (SC), mas não conseguiu embarcar por causa do atraso. “É um transtorno em cima do outro. Já perdi minha conexão por causa da empresa”, lamentou. Até o último contato com a reportagem, os passageiros aguardavam a chegada de outro veículo.
A reportagem entrou em contato com a Eucatur e foi encaminhada para uma atendente da Serra Azul. Por telefone, ela informou que as questões relacionadas ao conserto dos veículos e às trocas de ônibus ficam sob responsabilidade dos motoristas. O espaço permanece aberto para outros esclarecimentos da empresa.
