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Ranking da liberdade de imprensa tem pior resultado em 25 anos

Na última semana de abril de 2026, a organização Repórter Sem Fronteiras (RSF) divulgou o ranking de liberdade de imprensa de 2026, referente ao ano de 2025. As notícias sobre a segurança de jornalistas ao redor do mundo são piores que as dos últimos anos. A Noruega continua em primeiro lugar no ranking. O Brasil ultrapassou os Estados Unidos pela primeira vez, ocupando o 52º lugar, enquanto os EUA ficaram em 64º.

Os Estados Unidos caíram sete posições no primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. A Argentina de Javier Milei caiu 11 posições no último ano. Segundo análise da professora Daniela Osvald Ramos, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o bom resultado do Brasil no ranking se deve em parte à ausência da maior autoridade política do país emitindo discursos estigmatizantes contra profissionais da imprensa.

A prática de estigmatização não está restrita a um espectro político. No governo de Nestor e Cristina Kirchner, identificados com a esquerda, jornalistas também foram ameaçados por apoiadores. O jornal Clarín foi alvo de discurso estigmatizante nessa época. O que difere na atuação de Milei é que ele dirige as agressões a todos que praticam o jornalismo profissional, independentemente da linha editorial.

Há uma tendência mundial de precarização dos vínculos de trabalho formal e das condições para o exercício da profissão, conforme apontam pesquisas do Centro de Pesquisa Comunicação & Trabalho (CPTC), liderado pela professora Roseli Fígaro. A literatura recente compreende a segurança de jornalistas como “segurança ocupacional”, que abrange as dimensões física, psicológica, digital e financeira.

A segurança psicológica é uma dimensão importante e com pouca discussão no cenário nacional. Não há disciplinas nos cursos de graduação em Jornalismo que preparem os futuros profissionais para lidar com a carga de estresse. A professora Daniela Osvald Ramos e a doutoranda Vitória Baldin iniciaram um mapeamento das pesquisas brasileiras sobre essa dimensão.

O resultado será apresentado no artigo “Segurança de Jornalistas: saúde mental e trauma no contexto brasileiro”, no 35º encontro anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) em Natal, em junho. Um relatório publicado no final de 2025, intitulado “Liberdade de expressão em risco: como a saúde mental de jornalistas e comunicadores entra na equação?”, também aborda o tema.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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