O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira, foi acionado para investigar a queda de um avião bimotor ocorrida na manhã da última sexta-feira (3), em Campo Grande. A aeronave caiu em uma área de mata próxima ao Aeroporto Santa Maria, resultando na morte do piloto Henrique Martin e da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff.
O modelo acidentado, um Neiva EMB-810D Seneca, não possui caixa-preta. De acordo com a apuração inicial, a ausência de gravadores de voo não configura irregularidade, sendo comum em aeronaves de menor porte. Sem esses dispositivos, a investigação depende de outras fontes para reconstruir o ocorrido.
O Cenipa informou que, quando as caixas-pretas estão disponíveis, os equipamentos são enviados a laboratórios para extração de dados como altitude, velocidade e comunicações da cabine. Na falta deles, a análise se concentra nos destroços, registros de manutenção, dados meteorológicos, informações de GPS e depoimentos de testemunhas e controladores de tráfego aéreo.
O trabalho de investigação segue um protocolo técnico que começa no local do acidente. As equipes fazem o registro da área com fotos, vídeos e medições, além de mapear a posição dos destroços. Peças como motores e hélices podem ser recolhidas para exames em laboratório.
Os investigadores reconstroem a dinâmica do acidente com base em três fatores principais: material, ligado a possíveis falhas mecânicas; humano, que considera a experiência e as condições do piloto; e operacional e ambiental, que analisa o clima e a visibilidade. O delegado Sam Suzumura, da Polícia Civil, afirmou que o mau tempo é uma das hipóteses iniciais, mas a conclusão depende da análise técnica da aeronave.
As investigações do Cenipa ocorrem em paralelo às apurações policiais, com objetivos diferentes. Enquanto a polícia busca responsabilidades, o Cenipa foca na prevenção. O resultado é um Relatório Final que aponta fatores contribuintes e recomendações de segurança, sem identificar pessoas. O processo não tem prazo fixo e pode levar de um a dois anos para ser concluído.
Acidentes aéreos em Mato Grosso do Sul
Dados recentes indicam que Mato Grosso do Sul já registrou 18 acidentes aéreos neste ano. Em um período de dez anos, o estado contabilizou 230 ocorrências do tipo, com 24 mortes. Os números reforçam a importância do trabalho de investigação do Cenipa para a prevenção de novas tragédias na aviação civil.
