O Hospital da Cassems, em Campo Grande (MS), foi palco de uma iniciativa inédita na medicina robótica mundial nesta quinta-feira (18). A unidade integrou uma rede internacional que conectou, de forma simultânea, procedimentos realizados no Brasil, Panamá e Chile por meio da teleproctoria. Essa ferramenta permite que especialistas acompanhem e orientem cirurgias à distância, em tempo real, com compartilhamento de imagens e dados.
A ação reuniu quatro cirurgias robóticas conectadas em uma mesma plataforma. Três delas foram feitas em pacientes: uma em Campo Grande, uma em Porto Alegre (RS) e outra na cidade do Panamá. A quarta ocorreu no Chile, em um modelo experimental para demonstração técnica.
Escolhida como representante da região Centro-Oeste, a Cassems participou do projeto por ter o maior volume de cirurgias robóticas da região e pela experiência com a plataforma robótica Toumai. Os três procedimentos foram uma correção de hérnia inguinal. Em Campo Grande, a operação foi conduzida pelo cirurgião César Conte, com apoio do médico cirurgião robótico Bruno da Rosa e do médico auxiliar James Câmara.
Bruno da Rosa, que atuou na supervisão direta, explicou o motivo da escolha de Mato Grosso do Sul. “O estado hoje é o centro que faz mais cirurgias robóticas, exceto São Paulo, para a plataforma robótica do Toumai. Com toda essa experiência, estamos prontos para dividir conhecimento com outras regiões.”
O grande diferencial foi o acompanhamento especializado em tempo real, mesmo à distância. As três cirurgias foram monitoradas pelo cirurgião Eduardo Parra-Davila, referência internacional em cirurgia robótica, que acompanhou os procedimentos de uma central em São Paulo (SP). A interação ocorreu por teleproctoria, na qual um médico experiente atua como mentor remoto, podendo também auxiliar tecnicamente em etapas específicas da cirurgia.
“Existia um proctor, que é como um mentor. Em São Paulo, ele acessava o equipamento de Campo Grande. Em determinados momentos, ele entrava no procedimento, realizava parte da operação e depois devolvia o controle ao cirurgião local”, explicou a assessoria.
Para o cirurgião César Conte, a iniciativa mostra que a medicina de Mato Grosso do Sul está alinhada com centros mundiais de inovação. “Estar fora do principal eixo do país e oferecer algo inédito desse porte mostra a medicina de ponta que ofertamos. A possibilidade de ajuda imediata em um procedimento complexo por pessoas habilitadas em outros países é um passo histórico.”
Para viabilizar a conexão, a equipe de TI da Cassems desenvolveu uma estrutura exclusiva de transmissão de dados, conectando o robô Toumai ao sistema central do hospital, com mecanismos de proteção e redundância energética. As imagens também foram transmitidas em tempo real para o auditório da instituição, permitindo que residentes e estudantes acompanhassem as cirurgias.
O ineditismo foi chancelado pelo mentor Eduardo Parra-Davila. “O Brasil é o país perfeito para a demonstração desta tecnologia devido à sua grande extensão territorial. Realizar cirurgia remota multiponto exige muita segurança e conexões. Estamos levando a experiência de um cirurgião de ponta a zonas que, de outra forma, não teriam acesso.”
Bruno da Rosa assegurou que a segurança da paciente foi prioridade. “O formato oferece a melhor proteção possível, reunindo os proctors locais, a equipe in loco, a melhor conexão de internet e as proctorias à distância com especialistas mundiais.”
