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Colombiano condenado a 11 anos por morte de motociclista

O colombiano Carlos Hugo Naranjo Alvarez, de 36 anos, foi condenado nesta terça-feira (19) a 11 anos e 8 meses de prisão pela morte do motociclista Matheus Frota da Rocha. O acidente ocorreu na Avenida Salgado Filho com a Rua Guia Lopes da Laguna, na região do Amambaí, em Campo Grande. O Tribunal do Júri reconheceu que o réu assumiu o risco de matar ao dirigir bêbado e em alta velocidade. A decisão saiu mais de quatro anos depois da colisão registrada na madrugada de 28 de fevereiro de 2022.

Além da condenação pelo homicídio de Matheus, os jurados também responsabilizaram Carlos Hugo pela tentativa de homicídio contra Samira Ribeiro dos Santos, que estava na garupa da motocicleta e sobreviveu com sequelas graves. O juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, ainda condenou o colombiano pelo crime de dirigir sob efeito de álcool.

A sentença fixou 11 anos e 8 meses de reclusão, além de 6 meses de detenção. O magistrado determinou a prisão imediata do réu e suspendeu o direito de dirigir por cinco anos.

Durante o julgamento, a defesa tentou convencer os jurados a desclassificar os crimes dolosos contra a vida para delitos de trânsito culposos. Os advogados também pediram absolvição no caso da embriaguez ao volante, sob argumento de falta de provas. O Conselho de Sentença rejeitou todas as teses.

O julgamento ocorreu nesta terça-feira e reuniu familiares das vítimas, testemunhas e representantes do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). O réu respondeu às perguntas apenas da defesa.

Em depoimento, Carlos Hugo chorou ao pedir desculpas à família de Matheus e afirmou que nunca quis provocar a morte do motociclista. “Nunca foi minha intenção, nunca quis fazer isso na minha vida”, declarou. O colombiano disse que passou o dia com a esposa e o filho, que na época tinha dois meses, e saiu à noite com amigos para uma tabacaria. Segundo ele, consumiu apenas “alguns goles” de bebida alcoólica.

O réu também afirmou que acreditava ter batido em outro carro e alegou que só descobriu no hospital que havia atingido duas pessoas. “Somente no hospital os policiais falaram que eu tinha atropelado duas pessoas e uma havia morrido”, disse. Carlos Hugo contou ainda que fugiu por medo e porque ficou em choque com a colisão. “Pensei que havia batido em mim. Fiquei em choque, só pensava na minha família”, afirmou.

Segundo a denúncia do MP, o colombiano dirigia uma Mercedes-Benz C180 em alta velocidade quando atingiu a motocicleta Honda Fan 150 ocupada por Matheus e Samira. O teste do bafômetro apontou 0,30 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

O impacto destruiu a motocicleta e matou Matheus ainda no local. A violência da batida arrancou uma das pernas da vítima. Samira sofreu traumatismo craniano, lesão no nervo facial direito e ficou internada por 15 dias na Santa Casa.

A sobrevivente prestou depoimento por videoconferência durante o julgamento. Ela afirmou que não se lembra da colisão, mas recorda que o semáforo estava verde para a motocicleta conduzida por Matheus. Samira também relatou que enfrenta dores de cabeça e tonturas frequentes desde o acidente. “Não teve prestação de socorro imediato”, declarou ao júri ao lembrar que o motorista deixou o local.

Horas depois da colisão, equipes policiais encontraram Carlos Hugo na MS-080. Conforme o processo, ele admitiu que havia ingerido cerveja antes de dirigir. Durante o interrogatório, o colombiano afirmou que os R$ 20 mil pagos de fiança foram destinados à sobrevivente. Ele também disse que chegou a pagar pensão mensal de R$ 800 para Samira.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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