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Tereza Cristina cresce na crise da direita e vira alternativa de poder do agro

A senadora Tereza Cristina emerge como uma alternativa viável da direita para as eleições de 2026, em meio ao enfraquecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro e ao desgaste do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira. Ela é a única entre os 11 parlamentares federais de Mato Grosso do Sul com mandato garantido até 2030.

Nos bastidores de Brasília, Tereza Cristina é lembrada como um nome capaz de reorganizar o centro-direita. O cientista político Daniel Miranda afirma que a trajetória da senadora a consolidou como um “nome nacional” da direita desde sua passagem pelo Ministério da Agricultura no governo Bolsonaro. Ele a define como uma “reserva moral” do Progressistas, destacando que ela nunca se envolveu em grandes escândalos ou acusações.

Líder do Progressistas no Senado e vice-presidente nacional da legenda, a ex-ministra reagiu com cautela às revelações da Polícia Federal sobre supostos pagamentos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ela defendeu uma investigação rigorosa, mas preservou o discurso da presunção de inocência de Ciro Nogueira.

A senadora pode disputar a presidência ou o comando do Senado, cargo que admite desejar. Na terça-feira (19), ela participou de um jantar com prefeitos de Mato Grosso do Sul ao lado do governador Eduardo Riedel, em Brasília.

O deputado Dagoberto Nogueira (PSDB) avalia que o escândalo pode inviabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Sobre Tereza Cristina, ele diz que ela seria capaz de unir a extrema direita, o centro e até a centro-esquerda. O senador Nelsinho Trad (PSD) reconhece que as incertezas colocam Tereza Cristina entre os nomes viáveis do campo conservador.

Segundo aliados, não houve convite formal para compor uma chapa, mas Tereza Cristina não demonstra entusiasmo em ser vice de Flávio Bolsonaro. O deputado Luiz Ovando (PP) afirma que ela se sentiria mais confortável como vice se o candidato fosse Tarcísio de Freitas, que está limitado à reeleição em São Paulo.

Agronegócio e mercado

Tereza Cristina não agrega densidade de voto nacional por ser de um estado pequeno, mas compensa com trânsito entre a elite do agronegócio, o mercado financeiro e o setor industrial. Na Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), é vista como um nome sólido. Dentro do Progressistas e do PL, é tratada como uma alternativa de centro-direita menos ideológica e mais previsível para o mercado.

Sua trajetória nacional se consolidou em 2018, quando presidiu a comissão que aprovou o projeto que flexibilizava regras para registro de agrotóxicos, apelidado de “PL do Veneno”. Ela ganhou o rótulo de “Musa do Veneno”, usado por críticos e pelo setor ruralista como símbolo de resistência. Tereza defende a modernização da legislação e afirma que o termo “agrotóxico” tem viés ideológico.

A postura a tornou uma referência para o agronegócio exportador, mas também alvo de críticas de ambientalistas. Seu estilo político é marcado pela articulação silenciosa, longe de conflitos nas redes sociais. Ela é influente em disputas sobre marco temporal, demarcações de terras indígenas e ações do MST.

Durante o governo Bolsonaro, Tereza Cristina foi vista como uma ministra pragmática, trabalhando para preservar mercados na China e no Oriente Médio. Interlocutores do Centrão e do mercado a enxergam como uma ponte entre o agro exportador, o conservadorismo e a direita liberal.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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