O filme “Lydia”, gravado na Morada dos Baís, em Campo Grande, contará a história da pintora Lídia Baís. O cantor Ney Matogrosso vai interpretar o Padre Patanê, descrito pela produção como um dos principais conselheiros espirituais da artista.
Segundo o diretor Ricardo Câmara, a aproximação com Ney aconteceu por meio do produtor Joel Pizzini. O cantor conhecia pouco sobre Lídia, mas após ler o roteiro, aceitou o papel. “Quando apresentamos o roteiro, ele não conhecia muito a Lídia, mas foi pesquisar e ficou impressionado com o quanto ela era transgressora. Ele aceitou imediatamente”, disse o diretor.
No longa, Ney viverá a figura que inspirava espiritualmente a artista. “O personagem dele é o Padre Patanê, o conselheiro espiritual da Lídia. É uma participação muito especial, pois se a Lídia inspira tantos artistas, ela também tinha o seu inspirador, que era esse padre”, explicou Ricardo.
O diretor vê uma ligação simbólica entre os dois. “Eu costumo dizer que o Ney também é uma ‘Lídia Baís’. Conseguimos reunir várias ‘Lídias’ nesse filme para contar essa história.” A participação do cantor está prevista para o início de junho, quando ele chega a Campo Grande para as gravações.
O elenco também conta com a atriz paraguaia Ana Brun, vencedora do Urso de Prata no Festival de Berlim. Ricardo afirmou que o convite foi aceito rapidamente por causa da ligação histórica entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai. “Ela aceitou prontamente por causa dessa relação profunda do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Ela representa a nossa alma guarani”, resumiu.
Outro nome confirmado é o ator indígena Ambrosio Vilhalva, conhecido por trabalhos ligados ao cinema indígena e pela participação em “Terra Vermelha”. Segundo o diretor, a presença dele reforça o elo do filme com as origens culturais do Estado. “É um filme que reúne o que há de mais forte no Mato Grosso do Sul. A Lídia representa a nossa arte e é isso que vamos contar.”
A produção é realizada pela Pólofilme e transforma a própria Morada dos Baís, onde Lídia viveu, no principal cenário da cinebiografia. O longa mistura personagens históricos, memórias afetivas e referências culturais da fronteira para reconstruir a trajetória da artista que rompeu padrões sociais e transformou a própria casa em espaço de criação.
