O valor esquecido por clientes em bancos e outras instituições financeiras caiu de R$ 10,6 bilhões para R$ 6,2 bilhões após a transferência de R$ 5,7 bilhões para um fundo ligado ao Desenrola 2.0. O Banco Central divulgou o novo balanço nesta terça-feira (14), com dados contabilizados até maio deste ano.
O governo transferiu os R$ 5,7 bilhões que não haviam sido resgatados para o FGO (Fundo de Garantia de Operações). O fundo serve como garantia às instituições financeiras que participam do programa federal de renegociação de dívidas.
Mesmo após o repasse, R$ 6,24 bilhões continuam disponíveis no SVR (Sistema de Valores a Receber) do Banco Central. Desse total, R$ 4,44 bilhões pertencem a 24,08 milhões de pessoas e R$ 1,8 bilhão a 2,27 milhões de empresas.
Os bancos concentram R$ 2,91 bilhões do dinheiro ainda disponível. Administradoras de consórcios guardam R$ 2,25 bilhões e cooperativas de crédito, R$ 586,7 milhões.
Outros R$ 311,5 milhões estão em instituições de pagamento. Financeiras têm R$ 106,3 milhões, enquanto corretoras e distribuidoras concentram R$ 71 milhões.
A maioria dos clientes tem pouco dinheiro para recuperar. Cerca de 67,6% dos beneficiários possuem até R$ 10. Apenas 2,46% têm mais de R$ 1 mil.
Desde a criação do sistema, o Banco Central já devolveu R$ 15,47 bilhões aos clientes.
A transferência dos R$ 5,7 bilhões explica a redução do saldo registrada no novo levantamento. Segundo o governo federal, a lei autorizou o repasse de valores que permaneceram sem pedido de saque dentro do prazo estabelecido.
O FGO usa recursos para dar garantia às operações do Desenrola 2.0. Isso significa que o fundo pode cobrir parte das perdas das instituições financeiras em caso de falta de pagamento dos participantes do programa.
O governo informou que 10% do saldo transferido ficará reservado para atender eventuais pedidos de resgate dos donos dos valores. O TCU (Tribunal de Contas da União) analisa o uso desses recursos em programas federais sem a inclusão do dinheiro no Orçamento da União.
A consulta aos valores ainda disponíveis é gratuita e deve ser feita no Sistema de Valores a Receber do Banco Central. O interessado precisa informar CPF (Cadastro de Pessoa Física) ou CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Se houver dinheiro para resgate, o acesso ao sistema exige conta Gov.br de nível prata ou ouro.
Clientes que usam o CPF como chave Pix podem ativar o recebimento automático. A instituição transfere os valores diretamente quando identifica dinheiro disponível para devolução.
Empresas, titulares de contas conjuntas e clientes de instituições que não participam da modalidade automática precisam solicitar o pagamento pelo sistema.
Herdeiros, testamentários, inventariantes e representantes legais também podem consultar valores deixados por pessoas que morreram. O sistema exige os dados da pessoa e o preenchimento de um termo de responsabilidade.
Os recursos esquecidos podem ter origem em contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo, cobranças indevidas, consórcios encerrados, cotas de cooperativas de crédito e contas mantidas em corretoras e outras instituições financeiras.
