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Reforma tributária: Empresas se adaptam, mas desafios persistem

Os quatro primeiros meses de adaptação à reforma tributária mostram que as empresas passaram da fase de apenas monitorar regras para focar em uma atuação mais prática. Mas ainda há desafios. Nem todos os contribuintes estão conseguindo cumprir as exigências de destaque de informação dos novos tributos nas notas fiscais, e alguns municípios estão atrasados na disponibilização dos documentos no novo formato.

Em conversa com o blog, Luciano Idésio, vice-presidente Latam para o segmento corporativo da Thomson Reuters, e Edinilson Apolinário, diretor de tributos e conteúdo e líder de reforma tributária da Thomson Reuters, falam sobre a adaptação das empresas e sobre os desafios da reforma tributária.

Como foi a adaptação das empresas neste início de ano com as mudanças nos documentos fiscais?

Luciano Idésio: Passamos pela entrada dos documentos eletrônicos, em janeiro e fevereiro, que foram dois meses em que os clientes se adaptaram e aprenderam o novo desenho. Conseguimos passar pela fase de adaptação com muita proximidade com as empresas, para entender onde estavam os principais desafios. Principalmente nos layouts dos documentos municipais, a NFS-e. Conseguimos entregar o nosso primeiro módulo, de conciliação. A contabilização a gente entrega em maio.

Edinilson Apolinário: No final do ano, montamos o esquadrão da reforma. Isso ajudou as empresas a navegarem bem nesse início de ano. Elas tiveram muitas dúvidas. Foram muito bem na parte de documentos fiscais de mercadorias. Conhecimento de transporte e NFC de varejo também. Eram documentos mais maduros. Os municípios estão tendo desafios. Muitos deles não definiram se vão para o modelo nacional ou se vão adotar o local. Muitos municípios deixaram a versão antiga e a nova funcionando. Isso permitiu que não tivesse travamento de emissão. Foi positivo.

Pode explicar um pouco mais sobre os novos módulos?

Idésio: Trabalhamos para conectar a jornada tributária de uma empresa. Temos o motor de cálculo que busca determinar o tributo. Depois ele vem para os documentos fiscais eletrônicos. São duas classes. Uma que é a emissão da nota fiscal, você emite e faz o registro dela na Secretaria da Fazenda. Depois o recebimento da nota fiscal, que é um outro processo. A reforma criou a necessidade de mais um módulo, em que eu concilio tudo isso. Essa plataforma de conciliação trabalha no nível do documento fiscal, ou seja, eu posso fazer a auditoria do próprio documento. Isso evita erros, também facilita o trabalho do gestor fiscal e de uma auditoria futura.

Edinilson: Tudo acontece agora em tempo real. Não basta receber uma pré-apuração, preciso criticá-la. Para isso, preciso olhar as minhas transações no ERP, nos sistemas internos, para saber se vou aceitar ou não aquela informação que o fisco traz. Preciso fazer isso diariamente.

Vamos ter o sistema federal da CBS e um sistema separado do IBS. Quais as dificuldades que isso traz?

Edinilson: O piloto da Receita Federal começou em julho do ano passado. Por isso, todo o contexto hoje de apuração assistida é muito calcado naquilo que é a visão da CBS. No caso do IBS, o piloto começou em janeiro. Preparamos a solução para receber as informações ainda que sejam de sistemas diferentes. A expectativa é que não tenha diferença estrutural. Trabalhamos com a arquitetura de que a empresa ou o profissional vai ter a mesma tela do lado de cá.

Vocês trabalham com empresas de grande porte. Há preocupação de como elas vão lidar com outros parceiros que não estão tão preparados?

Idésio: Fizemos com algumas empresas uma solução em que trabalhamos a cadeia de fornecimento. Como os nossos produtos são feitos para grandes empresas, a gente propôs para alguns clientes que têm alguma dificuldade na cadeia para replicar a solução, e conseguimos viabilizar isso economicamente.

Qual é o momento que as empresas estão vivenciando na reforma e quais as urgências neste momento?

Edinilson: O primeiro ponto é a mudança de chave. Saiu aquele pensamento de monitorar regra. As legislações estão postas. Ficou muito claro o divisor de águas para uma atuação mais prática, mais operacional, ligada a questões de sistemas, de processo e tudo mais. As empresas já estão em outro patamar. Quem já se preparou está olhando agora para soluções fiscais para ajudá-las a navegar nesse modelo novo de apuração em tempo real. O segundo é um olhar estratégico, avaliando, por exemplo, impacto em pricing, em contratos. Porque os contratos que vencem agora, e são de médio e longo prazo, já precisam ser renovados com o novo modelo.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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