A atriz e apresentadora Regina Casé afirmou que a imagem de antipática associada a ela ganhou força após projetos em que priorizou a diversidade na televisão. De acordo com a artista, programas como Esquenta! passaram a receber críticas mais intensas por dar visibilidade a pessoas negras, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e moradores de regiões periféricas.
Regina disse que o incômodo não era apenas com o formato do programa, mas com o tipo de representação exibida. Ela avalia que, em muitos casos, a rejeição refletia resistência a mudanças no padrão tradicional da TV aberta. A apresentadora também destacou que acabou se tornando o principal alvo das críticas dirigidas ao conteúdo, já que o público não conhecia os participantes.
Antes mesmo do Esquenta!, Regina já havia lidado com reações semelhantes em projetos como Central da Periferia e Programa Legal. Essas produções chamaram atenção por valorizar histórias de pessoas comuns, muitas vezes fora do eixo das celebridades. Segundo a atriz, esses programas mostravam realidades pouco representadas, o que gerava identificação para alguns públicos, mas também causava desconforto em outros.
Ela acredita que, com o tempo, ficou mais evidente a existência de uma visão conservadora por parte da audiência, que reagia de forma negativa ao ver personagens e histórias fora do padrão habitual. Regina afirma que, no dia a dia, mantém uma relação próxima com o público e costuma atender fãs nas ruas. No entanto, nas redes sociais, a imagem de alguém distante ainda circula com frequência.
A atriz contou que pessoas próximas, como profissionais que trabalham com ela, se surpreendem ao ler comentários que descrevem um comportamento diferente do que veem na prática. Esse contraste mostra como a percepção digital pode ser construída a partir de narrativas que ganham força mesmo sem correspondência direta com a realidade.
Retorno à dramaturgia
Regina também comentou que a participação na novela Amor de Mãe teve impacto positivo na forma como passou a ser vista. Na trama exibida em 2019, ela interpretou Dona Lourdes, personagem que conquistou o público. Segundo ela, o retorno à dramaturgia ajudou a diminuir a rejeição que vinha enfrentando, já que nas novelas a atenção se volta para a personagem, e não para a pessoa por trás dela. A experiência trouxe um período mais tranquilo em relação às críticas, permitindo que a atriz voltasse a respirar após uma fase marcada por ataques virtuais mais intensos.
