O conhecimento em massoterapia trazido do Japão se tornou a base de um negócio de família em Campo Grande (MS). O casal Toshiro Hishinuma e Rosimary Yuriko Shiguemoto, descendentes de asiáticos, investiu o aprendizado obtido em Osaka na criação de uma empresa que oferece atendimentos e ensina técnicas pela internet.
Toshiro e Rosimary se conheceram nos anos 2000 em uma fábrica de plástico no Japão, onde trabalhavam de 10 a 12 horas por dia. Descobriram que eram primos de primeiro grau. Ele morava no Rio de Janeiro e ela em Campo Grande. Nos finais de semana, começaram a aprender massoterapia. As aulas abordavam a filosofia oriental para prevenção e tratamento de doenças do corpo e da alma.
De volta ao Brasil, a família iniciou os atendimentos com a quick massage para funcionários do Banco do Brasil em Campo Grande. O serviço fazia parte da política de bem-estar da instituição. Na época, havia preconceito em relação à massoterapia no Brasil, associada a conotação sexual. Essa visão foi superada com o tempo.
O atendimento se estendeu a outras empresas. O casal passava o dia com as cadeiras de massoterapia e mal conseguia se alimentar direito. Rosimary lembra que comiam pão com mortadela e refrigerante no caminho. A situação era contraditória: promoviam saúde, mas não usufruíam dela. Os ganhos também não eram compatíveis com a carga de trabalho.
Plano B
No Japão, o casal aprendeu a não depender de uma única fonte. Em Campo Grande, a família se dividiu. Toshiro passou a atender a domicílio, enquanto Rosimary e Rodrigo seguiram na quick massage. A estratégia deu certo, mas ainda trazia limitações. A solução veio quando Toshiro sonhou com uma clínica na rua onde moravam. Uma casa foi comprada e adaptada para o atendimento.
Cursos, mudanças internas e pandemia
Com a queda do preconceito, a clínica de Toshiro cresceu. Ele começou a dar cursos presenciais nos horários vagos. Diferente de alguns mestres orientais, ele acreditava que o conhecimento deveria ser compartilhado. Rosimary assumiu a gestão financeira da clínica, aprendendo com contadores. Rodrigo virou secretário e o tio Roberto Shiguemoto passou a cuidar dos agendamentos.
Durante a pandemia de Covid-19, a família buscou autorização para funcionamento e criou um plano de biossegurança com especialistas. Médicos que eram clientes pediram que a clínica não fechasse. Naquele momento, a massoterapia era vista como necessária para a saúde mental. A pandemia também impulsionou os cursos online de Toshiro, aumentando seu número de seguidores nas redes sociais. Antes disso, o reconhecimento da massoterapia como Prática Integrativa e Complementar em Saúde pelo Ministério da Saúde já havia ajudado.
Pelo mundo
Toshiro atendeu pessoas famosas como Susana Vieira, Patrícia Pillar e Fafá de Belém. Mas o que o realiza é ver o conhecimento adquirido no Japão se espalhar por meio dos cursos online. O casal não pensa em sucessores para a clínica. A ideia é que o trabalho continue alcançando pessoas em todo o mundo. “O que eu tenho que deixar é o conhecimento”, disse o massoterapeuta.
