Campo Grande movimentou R$ 1,7 bilhão em vendas de imóveis nos últimos 12 meses, segundo dados do Censo Imobiliário do 1º trimestre, apresentado pelo Sinduscon-MS na manhã desta sexta-feira (26). A pesquisa foi elaborada pela Brain Inteligência Estratégica.
Para efeito de comparação, no primeiro trimestre de 2023, o volume de vendas era de R$ 1,126 bilhão. O desempenho acompanha outro indicador positivo: Campo Grande registra 62% de intenção de compra de imóveis, índice bem acima da média nacional, de 49%, e também superior aos 47% observados na região Centro-Oeste.
Apesar do interesse crescente dos consumidores, a oferta de novos empreendimentos diminuiu. Na comparação entre o 1º trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, Campo Grande registrou queda de 33% no número de empreendimentos lançados. Neste ano, foram dois lançamentos já confirmados, sendo um do programa Minha Casa Minha Vida e outro de médio padrão.
“Apesar da redução dos novos lançamentos, existe um apetite grande ainda na intenção de compra aqui na região. A nossa expectativa está baseada praticamente na redução dessa taxa de juros, a gente acredita que se houver uma redução dela, o mercado volta a se aquecer. O que acaba regulando o mercado é a ponta, o consumidor. Então, ele continua com a intenção de compra e, apesar de uma taxa de juros alta, ela se mantém”, pontuou o vice-presidente do Sinduscon-MS, Rafael Tenuta.
Também houve redução de 41% no número de unidades colocadas no mercado. Ao todo, foram lançados 384 apartamentos no primeiro trimestre deste ano. No quarto trimestre do ano passado, haviam sido lançadas 1.348 unidades. Ao longo de 2025, Campo Grande registrou mais de 3 mil unidades lançadas.
O Minha Casa Minha Vida concentrou a maior retração. O número de unidades caiu 78%, passando de 652 para 144 na comparação entre o primeiro trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano. O valor geral dos lançamentos também recuou. No primeiro trimestre deste ano, foram R$ 130 milhões em lançamentos, contra R$ 853 milhões registrados no quarto trimestre do ano passado.
O consultor da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, avaliou o mercado imobiliário de Campo Grande. “A gente percebe que há uma intenção muito forte da população de Campo Grande, ou até mesmo do Mato Grosso do Sul, em fazer investimento dentro do nosso mercado imobiliário nos próximos meses. A cadeia como um todo que ganha. O que importante é reforçar quanto o mercado de Campo Grande está saudável e ainda pujante”, destacou.
As vendas permaneceram em alta. O setor comercializou 464 unidades no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 3,3% em relação às 449 unidades vendidas no mesmo período do ano passado. No 4º trimestre do ano passado, considerado pelo setor como o “Natal do mercado imobiliário”, o mercado vendeu 974 unidades. Do total de 464 unidades vendidas, 59% pertencem ao programa Minha Casa Minha Vida.
O número de imóveis disponíveis aumentou 19,1%, passando de 1.647 unidades no primeiro trimestre de 2025 para 1.961 unidades no primeiro trimestre de 2026. Os preços também seguem em trajetória de alta. O metro quadrado em Campo Grande atingiu R$ 10.513 no 1º trimestre deste ano, valorização de 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor era de R$ 9.515.
O ticket médio por tipologia residencial apresenta variações conforme o número de dormitórios. Os imóveis de 1 dormitório possuem valor médio de R$ 791.035, enquanto os de 2 dormitórios enquadrados no Minha Casa, Minha Vida registram o menor valor, com R$ 262.134. Já os imóveis de 2 dormitórios sem o programa apresentam ticket médio de R$ 645.497. Para unidades de 3 dormitórios, o valor médio é de R$ 1.121.278, e os imóveis com 4 ou mais dormitórios possuem preço médio de R$ 3.998.749. Considerando todas as tipologias residenciais, o ticket médio geral é de R$ 786.454.
